Especial Adoção: Quando o Amor Transcende o Impossível, por Karol Pinto (Parte 01)

No dia 15 de novembro comemora-se o Dia Mundial da Adoção. Um assunto de extrema relevância, que merece ser discutido, descontruído, reconstruído. Embora muito menos que no passado, as diferentes formas de preconceito e os tabus sobre adoção, ainda existem. Antigamente, omitia-se das crianças o fato que eram adotadas. A grande maioria dos pretendentes à adoção era composta por casais, heterossexuais, que não podiam ter filhos biológicos e que escolhiam perfis bem restritos: criança, recém-nascida, com as mesmas características físicas de seus pais. Hoje, muito se avançou. A adoção é uma opção de solteiros, casais homoafetivos, casais com filhos biológicos ou que optaram em gerar através do coração. O perfil também ampliou, mesmo que a passos lentos, contemplando aqueles que mais necessitam de amor e que eram esquecidos pela grande maioria dos pretendentes: crianças mais velhas, adolescentes, grupos de irmãos, meninos e meninas com limitações físicas ou intelectuais. É preciso, urgentemente, desconstruir a ideia que adotar é um ato de caridade, que as instituições de acolhimento estão lotadas de crianças que esperam por uma família. Não é isso que acontece na prática. O que de fato ocorre, é uma tentativa morosa e dispendiosa de reinserir, nas respectivas famílias biológicas, crianças que foram retiradas das mesmas, por uma série de problemas que vão desde a negligência de seus responsáveis, dependência química, agressões físicas e morais, entre outros. O processo de destituição se arrasta. As comarcas não contam com número suficiente de profissionais. Da mesma maneira, entende-se que a família extensa deva ter prioridade. Busca-se, por um longo tempo, o interesse de avós, de tios, de alguma pessoa que seja próxima para que a ruptura e os traumas gerados nas crianças sejam menos dolorosos possíveis. Com isso, os anos passam, as crianças vão vivendo suas infâncias em abrigos, que, por mais que sejam bem equipados, jamais podem ser equiparados a um lar, onde o principal segredo para a felicidade, é o amor.

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