Especial Adoção: Quando o Amor Transcende o Impossível, por Karol Pinto (Parte 04)

“Sou mãe de sete filhos, três biológicos e quatro do coração”
Erica Castro, dona de casa, 36 anos, não teve apoio de seu primeiro esposo para conseguir a vasta família com que sempre sonhou. Já o seu segundo marido abriu o coração para a adoção. “Sou mãe de sete filhos, três biológicos e quatro do coração. Meu primeiro esposo não queria adotar. Tivemos três filhas biológicas em nossa união. Depois disso, operei. Casei novamente e tentei fazer fertilização in vitro, mas não deu certo”.
Até a tentativa sem sucesso, Erica nunca havia conversado com seu esposo para saber qual seu posicionamento em ampliar a família através da adoção. “Um belo dia, passei no Fórum e me informei sobre o assunto. Então, me perguntaram se essa também era a vontade do meu esposo. Foi quando vi que precisávamos conversar abertamente sobre o assunto. Ele topou na hora”.
Para a dona de casa, não existe diferença nenhuma entre os filhos biológicos e adotivos. Como ela mesma diz: “Família é família”. Porém, Erica conta que teve que lidar com a surpresa de todos quando anunciou que a adoção envolvia quatro crianças. “Nossos amigos ficaram espantados. Mas como sempre faço, filtrei as coisas boas e joguei as ruins fora. Ficamos só com as palavras de apoio, de conforto e de incentivo”.
A habilitação de Erica e de seu esposo foi rápida. Menos de um ano para concluir o processo todo. “Depois de cinco meses conhecemos nossos filhos. Eu mesma fiz a procura nas comarcas. A aproximação foi de dois meses e ocorreu de forma tranquila. O maior problema foi a reação do menino de cinco anos, que era bastante arteiro e tinha problemas em nos respeitar, em aceitar ordens. Nosso amor cresce a cada dia que passa e isso nos ajuda a enfrentar as dificuldades. Já estamos juntos há um ano”.
Na família de Erica o assunto é discutido abertamente, sem tabus ou barreiras. “Meus filhos não falam muito sobre o período anterior à adoção, o que eu respeito. Conheço somente os fatos apresentados pela Assistente Social. Filho é filho e acredito que, de certa forma, eles sempre foram nossos. Nunca pensei em adotar grupos de irmãos e crianças mais velhas. Fui aprendendo, nos grupos de adoção, a abrir meu coração. E, hoje, temos sete filhos”.

 

“Amar é fundamental para lidar com as questões da adaptação”
Rosana Aparecida Garcia, 40 anos, estudante de pedagogia, adotou seus meninos, João Vitor e Guilherme, há quatro anos. Para ela, o assunto adoção foi apresentado por seu esposo. A gravidez biológica foi almejada por um ano, quando descobriram, após exames, que problemas médicos dificultariam bastante o sucesso das tentativas, já que ela foi diagnosticada com um problema nas trompas e endometriose. “Logo depois que meu esposo propôs que adotássemos, comecei a pesquisar sobre o assunto e conhecer o mundo da adoção mais a fundo. Queria fazer tudo conforme a lei, de maneira segura”.
Da fase das pesquisas à habilitação, foi bastante rápido para o casal. “Nunca enfrentamos preconceito, tivemos o apoio de todos, que aceitaram muito bem a nossa decisão. Ficamos na fila por oito meses. O processo todo durou cerca de um ano. Nosso perfil era até cinco anos. Quando ligaram do Fórum, fomos informados que o mais velho tinha oito anos. Mesmo assim, decidimos conhecer os meninos. A convivência foi bem delicada, principalmente no que diz respeito a aceitação de regras. Mas tivemos muita paciência e muito amor. Amar é fundamental para lidar com as questões da adaptação”.
Em decorrência da idade do filho mais velho, as lembranças acompanharam os meninos, que ficaram abrigados durante um ano. “O nosso filho mais velho tinha saudade da família biológica. Ele nos contava muita coisa, como era antes de nos conhecer, que apanhava de fio e sofria muito, porém, não tinha raiva. As lembranças sempre vão existir, mas a adaptação supera tudo. Hoje ele não fala mais em procurar a família biológica”.
Se de um lado as lembranças sofridas causavam dor nos novos pais, de outro, cada descoberta e estreitamento do relacionamento é motivo de orgulho e para amar ainda mais os meninos. “Cada Dia das Mães ou Dia dos Pais, para nós, é uma verdadeira bênção”.

 

“Foi como se já nos conhecêssemos de outra vida”
A adoção sempre esteve presente no coração de Paula Araujo de Almeida de Paula, 41 anos, empresária, e seu esposo Alexandre Roosevelt Martins de Paula, que não tinham impedimentos médicos para ter filhos biológicos. “Sempre quisemos a casa cheia. Então, na lua de mel, pedi ao meu esposo sete filhos! Eu não tinha a menor noção do trabalho que teríamos, mas hoje me sinto realizada com o meu casal. Tentamos engravidar, mas logo desistimos. A adoção se tornou algo maior. O meu desejo era ser mãe e não necessariamente passar pelo processo da gravidez. A princípio, meu marido não queria adotar, mas a minha vontade era tão grande que ele foi contagiado e não me deu sossego até a chegada das crianças”.
A primeira resistência enfrentada foi com a avó de Paula, hoje com 94 anos. “Ela me disse que não era uma boa ideia adotar. Mas tudo muda com o tempo. Ela é a única pessoa que não pode passar um dia sequer sem falar com eles, que morre de saudades”.
Com relação ao processo de habilitação, Paula conta que não enfrentou problemas. “A minha equipe multidisciplinar foi excelente, muito atuante e solícita. As profissionais Ana Lucia Silva e Miriam Silva estão nos acompanhando de longe até hoje, já que mudamos de cidade. Há três anos adotamos as crianças. Letícia, a mais velha, está com 11. João, com cinco”.
Para ela, a adaptação quando se trata de irmãos, é mais fácil do que a individual. “Acho que grupo de irmãos e adoção tardia são muito mais simples. Porém, não mais rápida. Quando irmão, têm um ao outro. E tardia, porque eles têm total compreensão do que aconteceu e fica menos complicado buscar ajuda. O nosso encontro foi sem dúvida muito emocionante. Não houve adaptação. Já estávamos adaptados. Foi como se já nos conhecêssemos de outra vida. Algo mágico. Amo meus filhos e não sinto que não os gerei. Não há diferença. Você ama igual, cobra igual, briga igual, sente igual e eles têm toda a reciprocidade. Talvez eu os ame mais porque eu sempre os desejei. Conheço detalhes das histórias deles. Isso facilita a compreensão de alguns comportamentos”.
A adoção é tratada de forma natural na família. “Não há problemas. Foi algo espontâneo e maduro. Não há nenhuma questão anterior mal resolvida. Quando aparece um episódio, buscamos ajuda psicológica e resolvemos, como em qualquer família que se dedica aos filhos. A maior dificuldade enfrentada foi à espera da Certidão. Hoje, já estamos com ela. Felicidade completa. Viajamos 18h para buscá-los! Eram eles”.

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