Que todas as crianças dancem

Eu vi uma pequena criança dançando no colo de um tio barbudo. Vi pela primeira vez um sorriso de diversão nos lábios e um olhar de reconhecimento. Esse momento marcou o início de uma transição, quando minhas pequenas entenderam que as pessoas que estavam com elas não eram apenas cuidadores, mas que estavam ali para elas e por elas, todo o tempo.
Quando lembro disso tenho dois tipos de sentimentos, felicidade por minhas filhas terem nos dado a oportunidade de vivermos juntos esse momento e uma tristeza muito grande por todas as crianças que ainda não tiveram e talvez nunca tenham o seu dia de se descobrir um ser amado.
E fala-se em adoção tardia, como se em algum momento fosse tarde pra ser amado…
E fala-se em crianças saudáveis como se as enfermas não fossem as que mais precisam de amor…
E fala-se em raça, como se não fôssemos todos humanos….
E fala-se em distância, como se a capacidade de amar pudesse ser medida em quilômetros…
Espero que um dia o amor se torne incondicional, que o desejo de realizar um sonho não esteja acima da capacidade de acolher.
E que nenhuma criança viva sem saber o verdadeiro significado da palavra família.

Lu Viam

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