Um Amor de Fanta Uva

Eu estava acompanhando uma conversa sobre presentes para crianças, mães e pais muito preocupados por causa da crise e dos preços de tudo. Uma criança queria uma boneca (dessas que brinca sozinha, nem precisa da criança) de R$800,00, a outra um tablet de R$2600,00, uma terceira um vídeo game de mais de R$3000,00, entre muitos outros. E não passa pela cabeça dos pais a possibilidade de não dar as coisas escolhidas porque afinal será Natal e tem que dar um jeito.
Fico tentando entender essa lógica das famílias modernas onde a criança não pode ser frustrada em seus desejos e é impossível não fazer uma ponte entre isso e a quantidade cada vez maior de adolescentes perdidos nas drogas e o alto índice de suicídios nessa faixa etária.
Me lembrei de quando eu tinha 4 ou 5 anos e fui com o meu pai ao quartel dos bombeiros onde ele tinha que resolver alguma coisa, na volta paramos em um restaurante para almoçar e ele me disse que escolheu aquele restaurante porque tinha uma coisa maravilhosa que ele queria que eu experimentasse. Fiquei esperando na maior ansiedade e eis que aparece o garçom com uma garrafinha de Fanta Uva! Posso sentir até hoje o sabor daquele primeiro gole, a coisa mais gostosa que já provei na vida.
Eu esqueci de todos os presentes que ganhei de Natal, mas nunca vou esquecer esse amor em forma de refrigerante, essa preocupação que meu pai teve em dividir comigo a maravilhosa descoberta que tinha feito.
Continuamos tomando Fanta Uva enquanto estivemos juntos e mesmo que agora não seja meu refrigerante preferido, ainda tomo de vez em quando em homenagem ao amor.
Espero que meus filhos tenham algumas “Fantas Uva” pra lembrar de mim algum dia, porque o amor é presença, muito mais que presente.

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